Eu não admito muitas teorias sobre sensações, até porque dentro de uma conversa conjunta, ninguém consegue limitar o que é a melhor e a pior sensação do mundo. Algumas pessoas dizem que a dor de perder alguém, seja fisicamente ou não, é terrível. Outras que a dor de sentir indiferença não tem tamanho, bem como a sensação de ser sentimentalmente recíproco com alguém é maravilhoso, ou estar sozinho e se divertir como se fosse a única expectativa de sua vida também é uma dádiva.
E ainda não admitindo teorias, ouvi uma coisa engraçada sobre sentir falta: “Não dá pra ignorar quando bate saudade, aquilo simplesmente te engole e sufoca, até que você pára de respirar e se deixa fagocitado de uma vez, sem exitar.” Talvez não tenha sido exatamente isso que escutei, mas essa foi uma interpretação válida pra entender a recusa que fazemos quando essa falta engolidora nos invade, sem o mínimo consentimento, sem um pingo de educação.
Ela pode ser de simplesmente um cheiro que trás lembrança, de uma lembrança que te dá um sorriso, de um sorriso que te rouba a paz. Um gosto, uma música, uma cena... Essa falta manifestando-se sorrateira, inicialmente como algo suportável e até bonitinho de sentir, depois prossegue aumentando a intensidade e quando se percebe... Parabéns, fagocitado.
É uma situação tão deturpada, que você começa a forçar a mente a pensar que isso não mexe tanto, recusa o festival que as borboletas têm feito na barriga, finge que essa ausência não tem efeito significativo na sua vida. Vai sendo consumido, consumido, consumido pela cascata de sentimentos e pensamentos simultâneos e dessincronizados, percorre a própria confusão e percebe a saudade que sente daquilo que conhece e nem conhece direito. E de que ela é, realmente, um pouco como fome. Fagocitado, então.

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