Agora já era tarde, o tempo passara, a maioridade era companhia há alguns anos, não necessariamente com a maturidade. Esta sim chegou abrupta, embebida a xícaras de café no meio da madrugada, entre folhas e canetas, crônicas e desilusões. Senta em uma cadeira qualquer da casa. Ri ao perceber que, realmente, as coisas acontecem uma a uma, como dissera qualquer pessoa que se achasse no direito de instruir uma mente adolescente. Cada vitória, frustração e experiência sobe um degrau de cada vez e às vezes performaticamente silenciosas, dentro de si.
Não queria acreditar que precisava de muitas coisas, racionalizava planos, estressava por não terminar algo importante, ficava com raiva a ponto de não conseguir pensar mais em nada. Tinha uma destinação ainda incerta, mas acreditava nas boas lembranças de tudo aquilo. Pensou que certamente sentiria falta de algumas coisas mais do que já sentia, ou não queria assumir que sentia. Soube então, nesse momento, que precisava disso, que essa falta era o que lhe traria a importância de saber o que era, de fato, seu. Manteve-se constante entre as xícaras de café já vazias. Somente as xícaras.
Beijo.
Layse Gama.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
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