quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Internet Feelings! (laranjeiras)

Entre sequenciais conversa via internet você percebe que seus instintos se direcionam a uma pessoa exclusiva dentre as muitas de sua lista de contatos. Será então um sinal? Atire a primeira pedra quem nunca começou a se envolver com alguém através dessa via tecnológica, por favor. Sei perfeitamente de todas as desavenças que tal meio trouxe a alguns relacionamentos: confusões por recados, e-mails e conversas, distanciamento precoce e até mesmo o fim do bom e velho romantismo, uma vez que pra alguns acabou limitando as declarações a flores digitais e mensagens de correntes. Entretanto, na atual conjuntura que vivemos, esta é sim a melhor (ou mais cômoda e barata, vai saber) forma de iniciar o conhecimento mútuo entre as partes.

Os dedos deslizam por horas e horas de bate papo na frente do computador, começando uma conversa que nunca terminaram ontem e que, certamente, não vão acabar hoje. Risos eternos e biologicamente comprovados por uma onda de neurotransmissores assassinos do controle emocional, então o fim da picada é quando você se apercebe de cara com uma foto minúscula de uma janela, falando qualquer besteira ou simplesmente admirando alí, em um estágio entre ser ridículo e/ou patético.

O decorrer do processo só vai então de mal a pior, sua janelinha de online acabou de ser levantada, ou melhor, está disponível sem que houvesse qualquer esforço contário, foi simplesmente inevitável. Agora só tem diversão de verdade se a outra janelinha também estiver por alí, as coisas vão acontecendo, o controle já saiu dos seus dedos, as palavras já se escrevem por si só. Você está sendo salvo e seu cupido se chama webcam, a vida informacional agora é outra, começando pelo estado civil que assume sua página de relacionamentos.

E que sorte é poder ver isso dar certo, ver que além de ter um remetente novo na sua caixa de entrada, se tem um ser simplesmente humano por tras disso, que não se trata de um cyborg programado pra te fazer feliz e sim uma pessoa, com qualidades e defeitos, cheia de manias e brincadeiras que te tiram do sério e, principalmente, algo que a tecnologia ainda não pôde oferecer, um cheiro de pele, de algo real. Você está na rede. Seja bem vindo!

Beijo!

Layse Gama

sábado, 13 de março de 2010

Phagocytosis

Eu não admito muitas teorias sobre sensações, até porque dentro de uma conversa conjunta, ninguém consegue limitar o que é a melhor e a pior sensação do mundo. Algumas pessoas dizem que a dor de perder alguém, seja fisicamente ou não, é terrível. Outras que a dor de sentir indiferença não tem tamanho, bem como a sensação de ser sentimentalmente recíproco com alguém é maravilhoso, ou estar sozinho e se divertir como se fosse a única expectativa de sua vida também é uma dádiva.


E ainda não admitindo teorias, ouvi uma coisa engraçada sobre sentir falta: “Não dá pra ignorar quando bate saudade, aquilo simplesmente te engole e sufoca, até que você pára de respirar e se deixa fagocitado de uma vez, sem exitar.” Talvez não tenha sido exatamente isso que escutei, mas essa foi uma interpretação válida pra entender a recusa que fazemos quando essa falta engolidora nos invade, sem o mínimo consentimento, sem um pingo de educação.


Ela pode ser de simplesmente um cheiro que trás lembrança, de uma lembrança que te dá um sorriso, de um sorriso que te rouba a paz. Um gosto, uma música, uma cena... Essa falta manifestando-se sorrateira, inicialmente como algo suportável e até bonitinho de sentir, depois prossegue aumentando a intensidade e quando se percebe... Parabéns, fagocitado.


É uma situação tão deturpada, que você começa a forçar a mente a pensar que isso não mexe tanto, recusa o festival que as borboletas têm feito na barriga, finge que essa ausência não tem efeito significativo na sua vida. Vai sendo consumido, consumido, consumido pela cascata de sentimentos e pensamentos simultâneos e dessincronizados, percorre a própria confusão e percebe a saudade que sente daquilo que conhece e nem conhece direito. E de que ela é, realmente, um pouco como fome. Fagocitado, então.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Agora já era tarde, o tempo passara, a maioridade era companhia há alguns anos, não necessariamente com a maturidade. Esta sim chegou abrupta, embebida a xícaras de café no meio da madrugada, entre folhas e canetas, crônicas e desilusões. Senta em uma cadeira qualquer da casa. Ri ao perceber que, realmente, as coisas acontecem uma a uma, como dissera qualquer pessoa que se achasse no direito de instruir uma mente adolescente. Cada vitória, frustração e experiência sobe um degrau de cada vez e às vezes performaticamente silenciosas, dentro de si.
Não queria acreditar que precisava de muitas coisas, racionalizava planos, estressava por não terminar algo importante, ficava com raiva a ponto de não conseguir pensar mais em nada. Tinha uma destinação ainda incerta, mas acreditava nas boas lembranças de tudo aquilo. Pensou que certamente sentiria falta de algumas coisas mais do que já sentia, ou não queria assumir que sentia. Soube então, nesse momento, que precisava disso, que essa falta era o que lhe traria a importância de saber o que era, de fato, seu. Manteve-se constante entre as xícaras de café já vazias. Somente as xícaras.


Beijo.
Layse Gama.