sábado, 2 de maio de 2009

24 horas

O dia clarea, olha-se pro lado e lá estava ele. Esboça certa disposição pra levantar, mas dormir 6 horas não é uma tarefa muito fácil pra nenhum indivíduo que faça bom uso das 18 outras horas que lhe restam do dia, olha-se pro lado e ele continuava. Levanta, se arruma, troca de roupa, sai com aquela expressão de quem deixou tudo na cama e só conseguiu levantar o corpo-zumbí de lá, olha pela janela do carro... Ele permanecia lá.
Deus tinha mandando aquela estrela pra lembrar que todo dia, tudo era novinho em folha. Que era possível ser uma nova pessoa, escolher ser diferente simplesmente pelo fato de que o Sol estava entrando novamente no ângulo certo de rotação da terra. E aquelas ondas eletromagnéticas chegavam perto e eram como se fossem parte de si mesmo. Era possível sentir cada aumento de temperatura, cada passo da rotação, cada intenção... E o dia prosseguia com a rotina de costume. Costumes. O calor sempre esteve ali, sentia-se todas as sensações que ele trazia consigo, já estava adaptado a sentir-se daquele jeito. Daquele jeito, o melhor de todos.
Então algo age estranhamente, parece que o Sol está indo embora, a temperatura vai diminuindo, as coisas ficando menos claras, parece que Deus resolveu tirar barato com o ser humano! Sim, a noite chegou. E com ela todas as metáforas de escuridão, frio e apatia. Deita na cama, rola de um lado pro outro. Pensa e logo não dorme, claro. Pára e espera... No silêncio algo sempre fala cada vez mais, chama-se: bom senso.
Não, você não precisa ficar depressivo por que o Sol não está mais ali. Deus criou a noite e quando dizem que ‘ela é uma criança’, é verdade! Existem muitas formas de crescimento e diversão na ausência do calor, você não precisa disso o tempo todo. Passamos os nossos primeiros nove meses de vida submersos num saco embrionário, cheio de líquido. Seu corpo é adaptado para mudanças climáticas. Porque sua alma não seria?
Isso não é tão fácil assim... E então você dorme somente com a certeza de que amanhã o Sol vai nascer de novo e é realmente isso que se quer. A convicção de que amanhã ele estará no mesmo lugar de sempre traz muita paz. Mas que importância teria isso agora? Talvez ele nem venha cheio daquelas nuvens reluzentes, que refletem os raios e dão a aparência de dia ensolarada Copacabana Beach. Talvez ele venha por trás daquelas nuvenzinhas cinzas, com cara de chuva às três da tarde em Belém, mas ele vem... Todos os dias ele nasce, todos. Consegue emitir raios ultra violetas e prosseguir com sua rotina nem sempre calorosa pra gente aqui na terra, mas sempre calorosa. Tal como eu e você.
Nem sempre, querido, Deus manda a chuva. Mas o Sol, ele nasce todo dia. E se isso te dá certa calma, seja bem-vindo.
Beijo.
Layse Gama.

5 comentários:

Bruno Rhuan disse...

hoho. uma honra ser amigo de alguém que enxerga as coisas (até o clima) por um ângulo diferentemente convertido.

Unknown disse...

"a certeza de que o sol estará la.."

é... é bom ter essa certeza, apesar de mtas vezes nao ser fácil, neh?
enfim, eu fico lendo esses teus textos e começo a viajaaar.. x*
eu gosto daquilo q vc escreve.. sempre gostei.

beijO!
***

Anônimo disse...

eu amei, amiga.
caraca. muito bom.
O sol sempre nasce !

Unknown disse...

Pensei que, com esse título, eu ia ler algo sobre Jack Bauer! rs
Mas gostei muito do texto! É pra refletir...

Felipe disse...

Muito bonito! De verdade, gostei muito.

bjoca